Texto I
Meu ranchinho
Tenho 78 anos e me lembro bem quando era criança, com meu balanço de pneu e descalço. Morava em uma simples rocinha onde criava quatro vaquinhas e dez galinhas.
Cresci, arrumei minhas malas, peguei meu cavalo e me tornei homem do mundo; morei na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e muitos outros lugares, mas sempre levava comigo um pequeno verso que aprendi com meu pai: “homem não nasce pronto, homem se faz.”
Depois de muitas andanças acabei voltando para o meu ranchinho, na pequena fazenda, pois um dia, logo cedo, chegou um telegrama com as seguintes palavras: “Filho, seu pai e sua mãe morreram.” Então decidi voltar e cuidar de tudo. Pensei: aqui nasci, aqui irei morrer!
Sempre de manhãzinha, ao acordar, ia dar milho às galinhas antes de tomar o cafezinho. Depois a rotina continuava. E assim foi até eu me apaixonar por uma moça que acabou me convencendo de ir morar em Cuiabá. Fomos, mas não gostei, voltei e fiquei.
Muitos e muitos anos se passaram, criei minha família e continuo no meu ranchinho, onde viverei o resto de minha vida, com a esposa, os filhos, netos, todos já encaminhados ou se encaminhando na vida. Tenho até filho doutor! E somos todos bastante felizes!
(João Carlos Dorneles – 7° Ano - 2010)
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Texto II
Receita maluca
Há algumas décadas, eu, Graziella, morava em um pequeno povoado chamado Martinésia. Nessa época eu morava em uma fazenda com meus avós e tios. As coisas eram muito difíceis, o salário era pouco para tanta gente que morava naquela humilde casinha, no meio do mato e, com isso, tivemos que aprender a caçar vários tipos de animais, inclusive capivara; precisamos aprender também a pescar e meu avô ensinou uma receita bem maluca para seus filhos e netos prepararem os peixes.
Nossa casinha era às margens do conhecido Rio das Velhas e quase todo final de tarde ajuntávamos as coisas e saíamos para pescar. Chegando lá, cada um achava seu canto e ficava sossegado, esperando o peixe que seria fisgado primeiro, para darmos início à execução da tal receita que o vovô iria nos ensinar.
O primeiro a conseguir foi meu tio Valter, que saiu logo gritando:
- Peguei! Peguei!...
O meu avô se assustou e disse arrogantemente:
- Se aquiete, menino! Agora limpe o peixe por dentro e não tire as escamas.
De repente vovô largou tudo que estava fazendo e disse:
- Venham todos aqui, vou ensinar a vocês a minha receita maluca.
Todos se assustaram e quiseram saber por que era uma receita maluca. E ele respondeu:
- Acalmem-se, vocês já vão saber. Primeiro furem um buraco no chão. Peguem galhos secos de árvore, quebrem-nos e os coloquem dentro do buraco; depois joguem um pouquinho de óleo e coloquem fogo. Quando estiver em brasas joguem terra da beira do rio em cima das brasas. Em seguida peguem o peixe com escamas, passem-no na terra e o coloquem sobre as brasas cobertas de terra. Muito bem... Agora joguem terra sobre o peixe e o deixem aí assando por mais ou menos uma hora e meia, virando-o de um lado para o outro, de vez em quando, para que cozinhe bem. Depois de assado as escamas se soltarão e o peixe estará pronto para ser comido.
Fica uma delícia! Para quem vê o preparo nem imagina que essa tal “receita maluca” fica uma belezura!
(Graziella Batista Fagundes – 8° Ano – 2010)
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Texto III
Minhas Férias
Hoje, sempre que estou com meus netos, na alegria dos finais de semana ou das férias, fico a me lembrar da minha infância, quando eu ia passar as férias na fazenda de meu avô. Ele levantava cedo para tirar o leite, que era levado depois para dentro da casa, para que minha mãe e minha bisavó fizessem o doce de leite no tacho de estimação do meu tataravô.
Lembro-me de que lá havia uma cisterna muito funda, de onde meu avô tirava água para beber, com um balde puxado por corda amarrada numa alavanca chamada sarilho e movimentada por uma manivela.
No curral eu ficava em cima da cerca, perto de onde se colocavam os latões de leite e pedia ao meu avô um copo de leite com espuma, aquele leite quentinho, acabado de sair do peito da vaca, um leite puro, grosso, de fazer bigode com a espuminha. Uma delícia!
Antes do almoço, minha irmã, meu primo e eu brincávamos de esconde-esconde e, numa dessas brincadeiras, minha irmã e eu inventamos de pular a cerca de arame farpado. Nós não tínhamos visto o boi que estava vindo em nossa direção e, quando o percebemos tivemos que pular a cerca de volta, correndo, e acabei furando o meu short.
Uma tarde meu avô e meu pai tiveram que sair antes de buscar as vascas; minha irmã e eu inventamos de apartá-las, mas não sabíamos que havia uma vaca parida muito brava. Quando ela nos viu estávamos às margens de um córrego e não sabíamos se corríamos para frente ou para trás e, ao vê-la em nossa direção, resolvemos entrar no mato e de lá ficamos gritando a minha mãe. Infelizmente ela não ouviu e, quando foi possível, fomos embora.
Na época das jabuticabas, nós subíamos nas jabuticabeiras e apanhávamos as frutas para chupar e também para fazer delicioso licor.
Minha mãe e minha bisavó assavam biscoitos e pães de queijo no forno a lenha, muito gostosos.
Meu pai, meu avô e eu dávamos milho às galinhas e uma delas sempre meu pai matava para minha mãe fazer no fogão à lenha, onde ela cozinhava também um delicioso feijão.
Lá minha irmã e eu ainda inventávamos brinquedos de barro e nos divertíamos com muitas brincadeiras infantis, como “caça ao tesouro”, que as crianças de hoje nem conhecem ou não valorizam mais.
Eram muito boas as férias na fazenda de meu avô!
(Lanielly Lauren Corrêa e Silva – 8º Ano – 2010)
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